PT de BH e Partido Democrático de Esquerda italiano firmam parceria
Lideranças do PT-MG, representantes do movimento sindical e integrantes do Partido Democrático de Esquerda de Bolonha (Itália), fizeram na quinta-feira (9), seu primeiro encontro de uma série, de acordo com o convênio firmado na mesma data para o intercâmbio de experiências, informações e conhecimentos em diferentes áreas de partido. O PT mineiro foi representado no encontro pelo secretário de Comunicação, Luís Carlos da Silva, e pelo secretário sindical, Paulo Henrique Santos Fonseca.
A iniciativa foi do PT de Belo Horizonte e tem o objetivo de fortalecer e incrementar as relações entre ambos os partidos aprofundando os ideais comuns já existentes. O Partido Democrático de Esquerda, que pertence à Internacional Socialista, trouxe três representantes entre eles a Secretária de relações Exteriores do partido italiano, Annalisa Cappellini, que explicitou durante toda a manhã a sistemática do Partido Democrático de esquerda e o olhar atento de toda a Europa sobre as mudanças que os partidos de esquerda vêm implementando no país.
Segundo Annalisa também na Europa os partidos de esquerda sofrem com a divisão. Para ela, o resultado das últimas eleições que puniu o partido no Senado representou um aprendizado nessa área: “Não se pode fazer política fechada, de elite, tem que ser uma política participativa, com os trabalhadores, com os populares”, disse. Annalisa explicou que o partido realiza anualmente em Bolonha, que tem uma administração de esquerda, assembléias públicas para avaliar o governo e escutar a população. “Esse é o primeiro passo e, necessariamente, o governo tem que ouvir o partido”, enfatiza. Segundo ela, o desafio é fazer com que o partido continue com esse relacionamento com a população e com os filiados, que em Bolonha, se filiam voluntariamente e contribuem como podem.
Sobrevivência partidária
Na Itália, os partidos de esquerda vivem de auto financiamentos, da livre contribuição de seus filiados. Constantemente são realizadas festas e atividades onde milhões de militantes trabalham voluntariamente. Nestas atividades também acontecem discussões políticas que contribuem para os novos rumos que o partido deve adotar e onde há um maior contato entre o partido e a militância. A experiência vem se estendendo por toda a Europa. Também não existe a adoção pelo partido italiano dos financiamentos públicos de campanha. Eles adotam o sistema com muita cautela, preferindo a adesão ao auto-financiamento para evitar os constantes escândalos que o país já enfrentou com o tema.
Ao contrário do Brasil que por uma iniciativa petista adotou a cota de mulheres nos partidos, na itália não há cota para mulheres. No entanto, segundo Annalise, por uma questão cultural, na Europa as mulheres têm reconhecimento natural na política, por formação e competência.
A Direita
A secretária de Relações Exteriores do partido italiano acredita que seja necessário mudar completamente a rota dos partidos de esquerda. Segundo ela, nos últimos anos na Europa venceu não somente os partidos de direita, mas uma globalização “doente”. Segundo Annalise, os partidos de esquerda devem caminhar em direção à “globalização dos Direitos Humanos, da solidariedade e da promoção de uma vida melhor para todos. Derrotar o neoliberalismo é importante”, disse, enfatizando que a promoção do debate, o confronto com a realidade e a permanência do diálogo com todos é fundamental.
Segundo Annalise, o partido italiano não defende apenas táticas eleitorais imediatistas, mas sim atitudes amplas e políticas para toda a sociedade, sem, contudo, deixar de lado as classes menos favorecidas. “Queremos construir políticas permanentes de distribuição de renda, de cooperação ao desenvolvimento”, disse.
O presidente do PT de Belo Horizonte, Aluísio Marques, lembrou a importância de se distinguir partido, de governo e de movimentos sindicais e que a esquerda brasileira ainda engatinha nesta área.
O deputado estadual petista, Édson Resende, quis saber sobre o papel da juventude no partido italiano. “Temos a juventude como nosso maior trunfo. Os jovens estão presentes no nosso partido de forma constante e participativa. Acreditamos que eles são fundamentais na permanência do nosso partido na história do país”, disse Annalise, enfatizando que o partido sempre se preocupa com a formação destes jovens e na garantia de políticas públicas que possam dar a eles perspectivas de um futuro no país. “É a garantia da sobrevida do partido”, enfatizou.
Para Aluísio Marques a experiência do intercâmbio será proveitosa para os dois partidos e enfatiza que o convênio será firmado nas áreas político partidária, na formação política, nas alianças políticas, no programa partidário e nos debates que envolvem a relação entre partido e governo, estatuto e forma de organização partidárias e que se dará através de intercâmbio de informações, consultas técnicas, capacitação de militantes e na realização de cursos, seminários, simpósios, reuniões e conferências. O convênio firmado hoje terá a duração de dois anos.
Do Portal do PT-MG (www.ptmg.org.br)
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