Sunday, December 10, 2006

ATO FAMÍLIA ALMEIDA & TELES x USTRA e 30 anos da Chacina da Lapa



Por iniciativa do deputado Raul Pont, foi decidida a realização de ato em solidariedade à família Almeida Teles e de repúdio a Carlos Alberto Brilhante Ustra.

O ato será no dia 18/12, no Sindicato dos Bancários.

O formato será: representação de ex-presos políticos de cada partido; Miguel Reale Jr., e a família.



Breve histórico

: A família Almeida & Teles propôs uma ação declaratória de danos morais contra Ustra, que corre na 23ª Vara Cível de São Paulo.
O juiz aceitou a ação, respondendo à argumentação de Ustra de que a lei de anistia refere-se a crimes, não a demandas de natureza civil. "Sendo uma ação declaratória, em que estão em causa direitos da personalidade e direitos humanos, é imprescritível."

Ustra indicou militares como testemunhas, dentre elas Pedro Seelig, que deverá ser ouvido aqui em Porto Alegre, em data a ser marcada.

A primeira audiência foi coberta pela imprensa de todo o país, conforme anexo.

Os militares tem se mobilizado na defesa do seu coronel, como ocorreu em Porto Alegre e Brasília, com presença de cerca de 200 no lançamento do livro em Porto Alegre e 400 pessoas em jantar (ou almoço?) em Brasília.

Tem havido chocantes manifestações de apoio, como o artigo de José Carlos Dias e, mais do que agressivas do outro lado, como a entrevista de Passarinho ou a do Cel. Lício, que assumidamente matou André Grabóis (marido de Criméia) na guerrilha do Araguaia.

Assinam por enquanto: PT, PC do B, PDT (Confirmar), PMDB (confirmar), PSB (confirmar). CUT, CONAN, FEGAM, UAMPA, Coordenação dos Movimentos Sociais (confirmar), Sindicatos dos Bancarios de Porto Alegre, SINTRAJUFE/RS, Comissão do Acervo de Luta Contra a Ditadura, Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, Movimento de Ex-Presos Politicos

AGENDA:

Dentre a divulgação proposta, tem em princípio marcado no dia 13, quarta-feira, meio dia, planfleteação na Esquina Demorcrática com deputados, entidades, etc.

Estão confirmados Olívio Dutra, Raul Pont, Mateus Schimit





Primeiro processo contra um torturador da ditadura militar




Em ação inédita no Brasil, o casal César Augusto Teles e Maria Maria Amélia de Almeida Teles, seus filhos Janaína e Edson, e Criméia Schimidt de Almeida, irmã de Maria Amélia, ajuizaram ação cível de danos morais e à integridade física contra Carlos Alberto Brilhante Ustra, hoje coronel reformado do Exército e diretor do DOI-CODI DE São Paulo quando foram presos e torturados durante a ditadura militar, em 1972.

César e Maria Amélia, na época militantes do PC do B foram presos em dezembro de 1972 junto com Carlos Nicolau Danielli, e são testemunhas de seu assassinato sob torturas no DOI-CODI. Maria Amélia foi torturada no pau-de-arara, sofreu choques elétricos, espancamentos e recebeu injeções que ficaram conhecidas como "soro da verdade".

César, em conseqüencia das torturas, precisou fazer transplante de pele nos pés em função de queimaduras com cigarro.

Criméia, que estava grávida de 7 meses, foi presa no dia seguinte, junto com Janaína e Esdson, que tinham 5 e 4 anos. Criméia foi espancada e levou choques elétricos. Seu filho, João Carlos, nasceu na prisão. Criméia é uma das sobreviventes da ‘Guerrilha do Araguaia’,

Janaína e Edson foram levados ao DOI-CODI onde viram os pais torturados.

A ação corre na 23ª Vara Cível de São Paulo. Foi aceita pelo Juiz que considerou estarem em causa direitos da personalidade e direitos humanos, que são imprescritíveis.



Chacina da Lapa

Em 16 de dezembro de 1976, os dirigentes do PC do B Pedro Ventura Felipe de Araújo Pomar e Ângelo Arroyo foram assassinados em São Paulo, na casa onde se reunia a direção do partido. João Batista Franco Drumond foi preso e torturado até a morte no DOI-CODI/SP. Outros dirigentes foram presos e cumpriram pena por muitos anos. O episódio ficou conhecido como ‘Chacina da Lapa’ e foi a última gande operação de aniquilamento de militantes e opositores políticos durante a ditadura militar.

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