Thursday, January 11, 2007
O MAIS IMPORTANTE É NÃO FICAR CALADO
O MAIS IMPORTANTE É NÃO FICAR CALADO>>Marcel Frison>>Membro do Diretório Nacional>>O debate público sobre as questões internas do PT é uma realidade com a >qual>convivemos há, pelo menos, dez anos. Uma realidade inaugurada por um setor>do partido que se tornou minoritário, em 1993, após a divisão da antiga>Articulação e a conformação de uma maioria de esquerda no Oitavo Encontro>Nacional do PT.>>Este setor "lutou" intensamente, utilizando-se de espaços gentilmente>cedidos pela mídia para impor de fora para dentro suas posições ao conjunto>do partido. Assim fizeram até retomarem, em 1995, o controle sobre a >direção>partidária.>>Isto alimentou por anos (e ainda alimenta) jornalistas "especialistas" nas>mazelas internas do PT. Por óbvio houve a reação daqueles que, como afirma >o>atual Secretário Nacional de Finanças e Planejamento, companheiro Paulo>Ferreira, sempre foram críticos "em levar as disputas internas para a>mídia". Hoje, é, no mínimo, uma atitude cínica, questionar as intervenções>públicas destes setores.>>Contudo, a rigor, o debate público sobre as nossas diferenças não é o>principal "mal" que assola o partido, o pior é a desinformação, a condução>paralela, a confusão entre opinião pessoal e deliberação partidária e as>pérfidas "plantações" de notícias sem a identificação da fonte.>>Não fosse a manifestação do companheiro Valter Pomar , Secretário de>Relações Internacionais do PT, em relação à volta do Presidente Berzoini, o>ato de Brasília passaria para o conjunto da base social do partido e para a>sociedade brasileira como uma atividade partidária, definida nas nossas>instâncias, e não como ato de um setor ou de um conjunto de militantes.>>Aliás, a presença de dirigentes políticos de outros partidos, como >glorifica>Ferreira em sua resposta ao Pomar, teria acontecido se soubessem estes, que>tal ato não tinha a aquiescência das instâncias partidárias? Duvido muito.>>O que fere a democracia partidária não são as críticas públicas de um>dirigente em relação a outro sobre uma determinada ação política. O que>destrói nossa democracia é a constante tentativa de transformar ações e>opiniões unilaterais em coisas do conjunto do partido.>>Ainda assim, o ato em si não é o pior. O pior é tentar soterrar um erro>político gravíssimo agarrando-se no resultado de um inquérito policial.>Inquérito este que, contraditoriamente, está sendo questionado, pois>incrimina o companheiro Mercadante.>>O fato é que a tragédia que nos acometeu, em meio as eleições de 2006,>somente aconteceu por que se instaurou no meio da campanha uma equipe para>tratar de assuntos de "inteligência", inicialmente sem o conhecimento e>durante todo o tempo sem o controle da maioria da Coordenação e do>candidato. Mas com o conhecimento do, então Presidente, companheiro>Berzoini, como ele próprio afirmou publicamente. É nisto que reside a >quebra>de confiança elencada por Valter Pomar.>>Portanto, o assunto não se encerra com o desfecho do inquérito da Polícia>Federal, existindo muito a ser esclarecido e debatido no conjunto do >partido>sobre esta questão. Berzoini pode ser inocente, e certamente o é, em >relação>à compra do dossiê, porém, é absolutamente responsável politicamente por>isto ter acontecido e causado um enorme estrago na campanha para a>presidência e às nossas candidaturas estaduais.>>Berzoini acertou quando se licenciou e tem o direito estatutário de >retornar>à presidência do PT , porém, se joga numa condição de responsável, por um>lado, pela condução e mediação de um debate duríssimo que teremos pela>frente e, por outro, sendo identificado como um dos principais>protagonistas da crise que enfrentamos. Penso que, ao contrário do >Ferreira,>perde o Berzoini, perdem os petistas e, fundamentalmente, perde o PT nesta>decisão equivocada.>>É lamentável que os acontecimentos de 2005 e 2006 não tenham servido de>lição para alguns dos nossos companheiros. É lamentável, também, que>tenhamos sido levados a este debate quando temos tantas questões, talvez,>mais importantes para discutir e implementar.>>Concordo que, neste momento, nosso maior desafio é debater e produzir as>sínteses necessárias para armar o partido para enfrentar o próximo período,>construir a unidade e recuperar sua credibilidade perante parcelas>significativas do povo brasileiro.>>Mas se aprendi algo com a crise, é o fato de que, por mais insignificante>que seja o fato, o mais importante é não ficar calado.>
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