Este ano, em meio aos desfiles das Escolas de Samba, entre enredos falando da Amazonia, da Agua, do Roberto Marinho...etc...etc...chamo atenção para o enredo da Escola de Samba Tom Maior, do primeiro grupo de São Paulo. O tema? A luta dos trabalhadores contra a opressão do capital. Ou em linguagem mais direta, a tão conhecida e vilipendiada (pela direita e pela burguesia) luta de classes.
Saudações Socialistas!!!!
SINOPSE DO ENREDO 2007
Vamos adentrar em uma grande máquina e por ela sermos tragados.
Devorados, usados até o limite.
Absorvidos pro completo, de forma paralisante, pelas engrenagens do progresso.
Uma máquina construída pela opressão de um sistema em transformação, fruto da cobiça, da ganância e da exploração humana, onde a palavra capital é o que importa.
Um universo capitalista que reduz o homem a um componente mecânico, como um mero robô.
Conseqüencia direta da implantação de uma linha de montagem e de uma busca sistemática do aperfeiçoamento, visando unicamente a produção.
Um ritmo alienador, estressante e incessante.
A máquina faz do homem uma máquina!
São engrenagens que escravizam!
Em tempos modernos é a Revolução Industrial que tem, como suporte, o esforço e o sacrifício de uma enorme massa oprimida
A origem da escravidão humana perde-se no tempo e se acha ainda oculta pela poeira dos séculos, que envolvem a própria história do homem sobre a terra, Não se sabe qual a etnia do primeiro escravo, se branco ou negro, se asiático ou europeu; o que se sabe é que eram máquinas humanas que viviam para trabalhar e trabalhavam para se manter vivos...e que agora passam a responder pelo nome de trabalhadores ou proletariado!
A passagem da escravidão para o trabalho assalariado não significoui a garantia de direitos e nem a inclusão na nova sociedade.. Trabalham-se quatorze, quinze horas , a altas temperaturas, em um ambiente hostil e insalubre, onde nem ao menos é permitido beber água. Exploram-se mulheres e crianças. O lema é não perder tempo!
..."Quando se retira da tarefa o trabalhador volta exausto a uma miserável casa, onde encontra a família a míngua. Não pode nem trocar a roupa na qual suou todo dia, porque não a possui. Lazer, instrução, felicidade, isto é algo que não tem forças para sonhar"
Para o trabalhador, viver é não morrer. E basta!
É o sentimento da sociedade industrial, cruel e devoradora de vidas, que gerou o "homo industrialis", da cidade industrial. Uma alegoria deste novo mundo governado pela máquina. O trabalho não era sequer regulamentado e a sensação de impotência que a maioria oprimida sentia, diante dos mecanismos impessoais do sitema capitalista-industrial, aproximou os trabalhadores e os uniu.
O sofrimento comum irmanou os trabalhadores e as iras individuais se fundiram em revoltas coletivas.
Nasce o movimento operário, com um ideal que se espalhou por todo o mundo. Uma luta universal, por melhores condições de trabalho e segurança; uma eterna busca pelo pão, pela dignidade, pela limitação constante das jornadas de trabalho, pela instrução , pela felicidade, pelo direito à vida, em uma marcha pacifíca porém reprimida com violência e sangue.
Massacre impiedoso e infame de que foram vítimas os trabalhadores.
Quantas vidas sucumbiram nesta luta!
Quantos heróis foram perseguidos e mortos!
...E, como que por encanto, surgem outros heróis, resgatam os ideais de luta e empunham a banderia da igualdade, como um contínuo renascer.
O trabalhador em todos os momentos da história nunca se curvou à exploração e à opressão. Em todos os tempos houve quem erguesse a cabeça e lutasse contra o sistema.
Mãos trabalhadoras que constróem o mundo tem o direito e o poder de transformar em realidade o sonho de uma sociedade livre, justa democrática e fraterna.
Iluminados por idéias socialistas, anarquistas, positivistas...por pensamentos de libertação e de igualdade entre as classes, os trabalhadores unidos saem às ruas, como um grande exército, na luta pelos direitos da humanidade e escolhem uma data, Primeiro de Maio, da que marca a luta pela redução da jornada de trabalho e homenageia todos aqueles companheiros mortos pelo mesmo ideal.
Sindicatos livres foram criados peara agregar, organizar, fazer valer a voz dos trabalhadores. Porém, particularmente no Brasil, o jogo de interesses sufoca os trabalhadores por leis que não são cumpridas, em imposições governamentais, em atitudes mascaradas, em golpes políticos.
...Chegaram os anos de chumbo. Articulações à insatisfação se manifestam. Movimentos contra a carestia e o custo de vida, pela anistia e em defesa das liberdades democráticas dão ao trabalhador um novo impulso.
Neste sentido a força dos trabalhadores do complexo industrial automobilístico do ABC teve grande importância, construíram espaços de luta, conquistaram legitimidade. se rebelaram e mostraram que o sindicato tem que ser independente do Estado, livre, pois é a voz do trabalhador
"Companheiros e companheiras:
- Vamos dizer não ao analfabetismo
- Não ao trabalho infantil
- Não a fome
- Não a precarização do trabalho
- Vamos democratizar o Brasil
- Nós podemos, somos muitos, eles não!
Os trabalhadores ocuparam um importante espaço social e renovaram a luta para democratizar as relações do trabalho, contra todo tipo de discriminação racial, igualdade no tratamento e na remuneração entre homens e mulheres.
Uma representação efetiva e participativa nas questões nacionais e que tem na campanha contra o "entreguismo", pelo monopólio estatal do petróleo, a maior prova que o trabalhador unido e organizado é capaz de triunfar!
Vale a pena lutar e ela está longe de terminar.
Companheiro, a luta continua!
Marco Aurélio Ruffinn
Carnavalesco
SAMBA ENREDO 2007
AUTORIA - MARADONA - DIDI - TURKO E DIEGO POESIA.
Numa era industrial
A ambição gerou ganância e cobiça
Máquinas devoram o trabalhador
Uma escravidão...Onde o capital é o que importa
Se o tempo é dinheiro a ganhar
A vida é só trabalhar
Prá sobreviver, não basta!
Surgem movimentos pelo mundo
irmanados por um ideal
Pra nossa dignidade
Primeiro de maio, conquista universal
Quero ter o meu direito, chega de exploração
com licença, eu vou a luta
(BIS)
Faço greve, vou pra rua
Digo não a opressão
Está em nossas mãos
Transformar o sonho em realidade
Acreditar num mundo com mais igualdade
Sindicatos livres no país
A força do "ABC, nossa raíz
Quero salário justo e um melhor viver
Pro crescimento da nossa Nação, educação
Acorda Brasil... A nossa gente vale ouro
O "Trabalho" é nosso tesouro
Orgulho dessa Pátria Mãe Gentil
Sou TOM MAIOR amor... (Meu amor)
Razão do meu viver....
(REFRÃO)
Alô companheiro de luta e de fé
A nossa união vem do Sumaré
Friday, January 26, 2007
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